28/07/2025
Aneel aciona bandeira vermelha patamar 2 por falta de chuvas, elevando cobrança em agosto; consumidores residenciais e rurais de baixo consumo terão bônus com excedente da usina de Itaipu para aliviar impacto
As contas de luz dos brasileiros vão pesar mais no bolso em agosto, com o acionamento da bandeira tarifária vermelha patamar 2 — a mais cara do sistema. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (25) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que justificou a medida com a redução das chuvas e a consequente queda na geração de energia por hidrelétricas.
Com isso, será cobrado um adicional de R$ 7,87 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, afetando diretamente residências, comércios e indústrias. Esse é o terceiro mês consecutivo de cobrança extra: em maio foi aplicada a bandeira amarela, e nos dois meses seguintes, a vermelha em patamar 1.
Segundo a Aneel, o acionamento do patamar 2 foi necessário porque a escassez hídrica força o uso de usinas termelétricas, que têm custo de geração mais elevado. A agência alertou ainda para o uso consciente da energia, lembrando que economizar ajuda a preservar os recursos naturais e a manter o equilíbrio do setor elétrico.
Apesar da má notícia, milhões de brasileiros terão algum alívio na fatura. Em julho, a Aneel autorizou o repasse de R$ 883 milhões em bônus da comercialização da energia de Itaipu Binacional. O crédito será concedido automaticamente nas contas emitidas entre 1º e 31 de agosto para consumidores residenciais e rurais que, em 2024, mantiveram consumo mensal inferior a 350 kWh.
Esse bônus é resultado do excedente de quase R$ 1,6 bilhão da Conta de Comercialização da energia da usina em 2024. Parte desse montante (R$ 365 milhões) foi usada para cobrir déficit da conta, e o restante será distribuído como desconto direto nas faturas.
A tarifa de repasse da energia de Itaipu permanece fixada em US$ 17,66/kW.mês, conforme estabelecido anteriormente pelo governo federal. A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), responsável pela gestão da conta, deve divulgar até o fim de julho os valores exatos a serem repassados a cada distribuidora.
A expectativa é de que, mesmo com o acionamento da bandeira mais cara, o bônus de Itaipu amenize parte do impacto para os consumidores de menor consumo, especialmente nas áreas residenciais e rurais. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressaltou que o repasse é um compromisso com a justiça tarifária e a soberania energética do país.
Com informações da Aneel
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